Setembro Amarelo e a saúde mental das mães de crianças com deficiência
O Setembro Amarelo nos convida a falar sobre prevenção ao suicídio, sofrimento emocional e a importância de buscar ajuda. Mas, para que essa conversa seja realmente necessária e responsável, também precisamos olhar para quem muitas vezes sofre em silêncio: as mães de crianças com deficiência.
Por trás da rotina de cuidados, existe uma mulher atravessada por inúmeras demandas. Consultas, terapias, adaptações escolares, preocupações financeiras, medo do futuro, noites mal dormidas, julgamentos, burocracias e, muitas vezes, a ausência de uma rede de apoio consistente.
Em meio a tudo isso, a própria saúde mental costuma ser empurrada para o fim da lista.
Ansiedade, exaustão, culpa, desesperança e sensação de solidão não devem ser tratadas como “parte natural” da maternidade. Nenhuma mãe deveria precisar adoecer para provar que ama. Nenhuma mulher deveria ser chamada de forte quando, na verdade, está apenas sem opção de parar.
Por trás da mãe que “dá conta de tudo”, pode existir alguém precisando urgentemente ser escutada, acolhida e amparada.
Neste Setembro Amarelo, é fundamental lembrar:
Quem cuida também precisa de cuidado.
Pedir ajuda não é sinal de fraqueza; é um gesto de proteção.
Descansar não significa amar menos.
Dividir responsabilidades também é uma forma de preservar vidas.
Acolhimento profissional, escuta sem julgamento e uma rede de apoio real podem fazer a diferença. É preciso perguntar como elas realmente estão. É preciso oferecer ajuda concreta. É preciso compreender que cuidado materno não pode significar abandono de si mesma.
Cuidar da saúde mental das mães de crianças com deficiência também é prevenção. E essa responsabilidade não deve ser apenas delas, mas de todos nós.
Marcele Campos
Psicóloga Especialista em Neuropsicologia (Avaliação e Reabilitação) e Análise do Comportamento Aplicada ao Autismo, Atrasos de Desenvolvimento Intelectual e Linguagem. Trabalha há mais de 28 anos com crianças e adolescentes. Proprietária da Clínica Neurodesenvolver.

